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Cabo das Tormentas 1488

Ensaios sobre a Declinação Magnética e os Descobrimentos Portugueses

8.3 - Carta de Jorge Aguiar (1492)

20.04.16

 

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Fig. 52 - Carta de Jorge de Aguiar, 1492. Yale University, em New Haven (EUA)

 

Como já referido, a carta portuguesa mais antiga que se conhece assinada e datada está arquivada na Yale University, em New Haven (EUA) [fig. nº 52]. É de 1492 e o seu autor é Jorge de Aguiar, piloto e mais tarde Capitão de naus das Índias no final do século XV e princípio do século XVI.

 

Para iniciarmos a nossa abordagem à carta de Jorge Aguiar, vamos recordar dois modelos (figuras nº 53 e nº 54) que estimam o valor da declinação magnética em 1500 no Mediterrâneo e costa leste do Atlântico Norte.

 

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Fig. 53 – Declinação magnética em 1500

 

Nestes dois modelos é possível verificar uma concordância no facto da declinação magnética ser nula nos Açores e na margem oriental do Mediterrâneo.

 

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 Fig. 54 – Declinação magnética em 1500

 

Curiosamente na carta de Jorge de Aguiar surgem duas rosas-dos-ventos (?) muito simples, sem flor-de-lis e aparentemente com uma agulha bem desenhada, apontando para o norte (figura nº55).

 

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Fig. 55 – Destaques na Carta de Jorge de Aguiar

 

A primeira destas duas rosas, surge perfeitamente alinhada com a linha agónica (declinação nula) que passaria nos Açores em 1500.

 

Recordemos o que diz João de Lisboa no capítulo IX do Tratado da Agulha de Marear, “Em que se declara como havemos de tomar este meridiano Vero….”:

 

Hás-de saber que este meridiano vero, onde as agulhas verdadeiramente ferem o pólo do mundo ártico, divide a Ilha de Santa Maria e a ponta da Ilha de São Miguel….”

 

O desenho desta rosa muito peculiar e o seu posicionamento na carta (fig. nº 56) faz com que legitimamente possamos colocar a pergunta se não seria já conhecido o fenómeno da variação da agulha na época (1492) em que Jorge de Aguiar desenhou a carta.

 

Uma segunda rosa, cujo desenho é idêntico ao da primeira, parece indicar a linha agónica que passava pelo Mediterrâneo embora se estime que na época esta passasse mais para oriente, na costa oriental do Mediterrâneo, e não no centro do Mediterrâneo como parece surgir na carta de Jorge de Aguiar. No entanto não deixa de ser um indício que parece indicar alguma semelhança no que se pretendia assinalar com estas duas rosas.

 

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Fig. 56 – Rosa-de-ventos na Carta de Jorge de Aguiar na linha agónica que passava pelos Açores (séc. XV)