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Cabo das Tormentas 1488

Ensaios sobre a Declinação Magnética e os Descobrimentos Portugueses

4.3 - Os calendários Juliano e Gregoriano

15.02.19

As estrelas compõem, no céu nocturno,  o fundo de objectos astronómicos que parecem não se mover em relação uns aos outros (ao contrário do que fazem os objetos que compõem o Sistema Solar).

Nenhum objecto celeste é de facto fixo em relação a um outro. Não entanto, os objectos que se situam fora do sistema solar movem-se tão lentamente no céu que a mudança nas suas posições relativas é quase imperceptível se considerarmos as escalas de tempo do ser humano.

 

Assim sendo, daqui surge a definição da Ano Sideral :

 

Ao descrever uma órbitra em torno do Sol, é o tempo que decorre até a Terra retornar à mesma posição em relação às estrelas.

O ano sideral é aproximadamente igual a 365,2564 dias.  (365d 6h 9m 10 s)

 

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Vejamos agora a definição da Ano Tropical :

 

Um ano tropical (também conhecido como ano solar) é o tempo que o Sol leva para retornar à mesma posição na eclíptica.

 

Um ano tropical é, por exemplo, o tempo que decorre entre dois equinócios vernais ou dois solstícios de verão.

 

Capturar.PNG

 

Por causa da precessão dos equinócios, o ciclo sazonal não permanece exatamente sincronizado com a posição da Terra em sua órbita ao redor do Sol. Como conseqüência, o ano tropical é cerca de 20 minutos mais curto ( 365,2422 dias - 365d 5h 48m 45s) que o tempo que a Terra leva para completar uma órbita completa em torno do Sol, medida em relação às estrelas fixas (o ano sideral).

 

Em 46 a.C., Júlio César implementou uma profunda reforma do calendário, definindo Janeiro como primeiro mês do ano (até então era o mês de Março o primeiro mês do ano, coincidindo com o Equinócio) e  criando o conceito de ano bissexto,  ano de 366 dias que deveria ocorrer de quatro em quatro anos. Com estas mudanças, o calendário anual passou a ter doze meses que somavam 365 dias. 

Convém referir que durante um período inicial, os anos bissextos no calendário Juliano ocorriam de 3 em 3 anos, dando origem a correcções que foram mais tarde implementadas após se concluir que esta estratégia estava errada. Foi então decidido (ano 8 DC), que os anos bissextos ocorreriam de 4 em 4 anos.

 

Os anos bissextos definidos no calendário Juliano para ocorrer de 4 em 4 anos, resultavam num valor médio do ano de 365,25 dias, valor que se aproximava bastante de 365,2422 dias, valor do ano tropical. Apesar de tudo, por cada ano Juliano era registado um atraso de cerca de 11,23 minutos face ao ano tropical (recordemos, ano tropical é o tempo que a Terra leva para completar uma órbita completa em torno do Sol).  A este ritmo, para cada período de cem anos decorridos, o atraso acumulado era igual a 1.123 minutos, cerca de 18,72 horas. Por volta do ano 1000 DC, o atraso acumulado já ultrapassava os sete dias de calendário.

 

O calendário juliano foi oficialmente reformado em 1582, pelo papa Gregório XIII, dando origem ao calendário gregoriano, que entrou em vigor no dia 4 de outubro de 1582, tendo sido progressivamente adoptado por diversos países, e hoje é utilizado pela maioria dos países ocidentais. Nessa data, 4 de outubro de 1582, foram suprimidos os 10 dias acumulados no calendário juliano até então, pelo que o o dia seguinte foi o dia 15 de Outubro de 1582.

 

O calendário gregoriano também adoptou uma estratégia diferente para os anos bissextos, de modo a evitar os erros acumulados durante a vigência do calendário Juliano. Foram adoptadas as seguintes regras:

  • De 4 em 4 anos é ano bissexto
  • De 100 em 100 anos não é ano bissexto
  • De 400 em 400 anos é ano bissexto

As últimas regras têm prevalência sobre as anteriores. Isto significa que todos os anos múltiplos de 400 (1600, 2000, 2400,  2800....) são bissextos, e também são bissextos todos os múltiplos de 4, excepto se for um ano múltiplo de 100 mas não de 400.

 

O calendário gregoriano foi adotado por países onde a Igreja Católica era predominante, entretanto, a Igreja Ortodoxa não aceitou seguir esta mudança, optando pela permanência no calendário juliano o que explica hoje a diferença de 13 dias entre estes dois calendários.